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Quem sou eu

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Sou a simplicidade casada com a verdadeira essência de um ser. Venho de uma família onde todos trazem e trouxeram em suas bagagens um código espiritual único e capaz de transformar palavras em frases complexas e simples, que ampliam horizontes e rompem barreiras. Sou filha do vento, da água, da terra e do fogo. Tenho minhas fases e mudo conforme a Lua. Sou a busca do exato, na medida disforme das coisas que vejo, e minha mente transcreve. Hoje criando este blog, mostrarei o que em gavetas escondia. Beleza, sinceridade, sede de transcrever o que minha alma sente ao se deparar com uma folha e um lápis, pois é desta forma que escrevo. Na simplicidade de um canto qualquer, mas com essência pura dos sensíveis.

terça-feira, 21 de abril de 2026

CAMINHOS DE PEDRA, ESTRADA DE FERRO, ESTAÇÃO PARADA.




Muitos caminhos percorridos, outros corridos, tropeçando em pedras (dificuldades), os driblava feito jogador.
Aprendi que deveria deixar por lá as pedras e passar pelo lado não olhando para trás, seguindo novamente o caminho por seguir.
Passei por uma estrada de ferro. Com seu trem a todo vapor, o maquinista em nove meses com intervalos de três em três meses, passou tão rápido e levou três passageiros (irmã, avó, e mãe).
Não escutei o apito, veio em surdina e não tive tempo de dar um adeus, já tinham partido.
A estação parou, com as partidas, lá permanecíamos nos trilhos trincados, corações partidos com partidas tão inesperadas e momentâneas.
O maquinista esperou mais um tempinho, desta vez apitou fraco, mas eu escutei e depois de oito meses, lá chegava o trem com seu maquinista para buscar mais um passageiro, meu pai.
Minha estação além de parar por algum tempo, perdeu o referencial de tudo.
Mesmo assim, continuamos a seguir, permanecendo duas.
A estrada de ferro, por enquanto está desativada (até quando não consigo prever).
A estação parada construiu um modelo de vida, que muitas vezes sem querer reflete no que escrevo. 
Os fios da carne, a força interior que tenho e como encaro a vida são tão pequenos ao comparar com os caminhos de pedra, a estrada de ferro e a estação parada.
O tempo voou , são 24 e 22 anos de tantas partidas.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O MONÓLOGO DO ASSENTO VAZIO


(O palco está na penumbra. Uma luz suave, cor de âmbar, foca em um balanço levemente balançando, embora ninguém esteja sentado nele. Ao lado, um tênis solitário e um trem de madeira coberto de poeira.)

Dizem que o tempo é um rio, mas eu acho que ele é mais como o vento neste quintal: ele não leva apenas as folhas secas, ele leva o peso das nossas mãos. Olhem para este balanço... ele ainda guarda o desenho de um corpo que não pesa mais do que um sonho.

Eu me lembro de quando o chão não era longe. De quando a areia entre os dedos era a única geografia que importava. A inocência... ela não vai embora com um adeus barulhento, sabe? Ela foge em silêncio, como o sol que se apaga atrás do muro, deixando a gente aqui, com os pés grandes demais para esses sapatos e o coração pesado demais para voar.

(Caminha até o trem de madeira e o toca com a ponta dos dedos)

Este brinquedo já foi um império. Hoje, é apenas madeira morta. O que aconteceu com a luz que fazia tudo parecer eterno? A gente cresce e aprende a dar nome às dores, mas desaprende a rir do nada. A alma adulta é um exílio. Olhamos para o quintal da infância por um vidro embaçado pela neblina de sermos 'alguém'. Mas, no fundo, quem somos nós sem aquele brilho que não pedia permissão para existir?

(Olha para o horizonte, onde a luz esmaece)

A noite vem. E o balanço continua lá, esperando por alguém que já esqueceu como se faz para perder o chão e encontrar o céu.


Imagem criado por IA 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

SE QUISERES ME ENCONTRAR


Se quiseres me encontrar
Sou a luz que procuras
Liberdade nas alturas
Alçarei em voos rasantes
Flutuaremos em breve momento
Serei teu acalento
Teu anjo a te proteger

Se quiseres me encontrar
Bate na porta da vida
Ore com fervor
Sou a tua esperança
Alegria e bonança
Despertando de lindos sonhos
Passearemos de mãos dadas
Meditando nas estrelas
Constelações de amores

Se quiseres me encontrar
Não moro longe...
Sou reflexo de teus pensamentos
Otimismo em tuas frases
Oração de agradecimento
Sou todos os teus momentos

Por quê... Se quiseres me encontrar.
Sou o oposto do teu lado do avesso
Vibre na mais profunda luz
Serei lâmpada acesa
Iluminando o corredor escuro
Das tuas entranhas

Serei estrada, não abismo.
Sou teu guia, mentor de mensagens.
Sabes, onde me encontrar...
Nas múltiplas passagens...


quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

IASÃ - EPIFANIA


 

FORÇA DA VENTANIA


 

Sopro que não tem morada

Vem sem convite, furioso a girar

A folha mais presa é levada

Enquanto o galho aprende a curvar.

 

É a mão invisível da natureza

Que move a areia e agita o mar

Com sua bruta grandeza

Ensina que é preciso dobrar, não quebrar.


"Eparrey Oyá!".

 

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

PAUTA DA VIDA


Não é difícil chegar quando se sabe aonde ir.
Não é fácil compor quando se conhece as linhas limites das notas na pauta da vida.
Aqui, neste lar temporário à beira do mar.
Eu só quero...
Beber a mensagem, reerguer a imagem, coragem da vida, nesta viagem de paz, de parada e recolhimento.
Aqui (vez por outra) eu venho para um vasto mergulho interior (é verdade), acaba irritando.
O silêncio comprido...
O ócio alongado...
A galopante soltura das horas.
Aqui estou num presente gostoso
Sem passado perdido...
Sem ninguém ser vencido
Sem momento esquecido a lamentar.



terça-feira, 18 de novembro de 2025

A BUSCA NO ALGORITMO

Por onde andam as pessoas reais

No espelho frio dos digitais?

A tela brilha, um portal sem fim

A carne e a alma se escondem, sem fim

 

O prompt perfeito, o avatar ideal

Tudo simulado, sem o natural

A IA pinta, a IA compõe

Mas o erro humano, quem o dispõe?

 

Talvez na pressa de um café amargo

Num livro esquecido, num olhar de afago

Em que o coração ainda pulsa sem cache

Lá está o real, em um breve flash.

 

 

O CRISÁLIDA DA VONTADE


Não é só esperar a lua mudar

É tecer a seda, teimar em ficar

O sonho, por dentro, é larva que luta

Uma fibra viva que a sombra refuta

 

Persistir é a arte de estar no casulo

É crer na mudança que o olho não vê

A metamorfose que vai acontecer

De juntar o impulso para só nascer

 

Quando o silêncio romper a barreira

Será a asa forte, a cor verdadeira

Do sonho tecido à forma final

A persistência é o voo, o sinal.