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Quem sou eu

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Sou a simplicidade casada com a verdadeira essência de um ser. Venho de uma família onde todos trazem e trouxeram em suas bagagens um código espiritual único e capaz de transformar palavras em frases complexas e simples, que ampliam horizontes e rompem barreiras. Sou filha do vento, da água, da terra e do fogo. Tenho minhas fases e mudo conforme a Lua. Sou a busca do exato, na medida disforme das coisas que vejo, e minha mente transcreve. Hoje criando este blog, mostrarei o que em gavetas escondia. Beleza, sinceridade, sede de transcrever o que minha alma sente ao se deparar com uma folha e um lápis, pois é desta forma que escrevo. Na simplicidade de um canto qualquer, mas com essência pura dos sensíveis.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O MONÓLOGO DO ASSENTO VAZIO


(O palco está na penumbra. Uma luz suave, cor de âmbar, foca em um balanço levemente balançando, embora ninguém esteja sentado nele. Ao lado, um tênis solitário e um trem de madeira coberto de poeira.)

Dizem que o tempo é um rio, mas eu acho que ele é mais como o vento neste quintal: ele não leva apenas as folhas secas, ele leva o peso das nossas mãos. Olhem para este balanço... ele ainda guarda o desenho de um corpo que não pesa mais do que um sonho.

Eu me lembro de quando o chão não era longe. De quando a areia entre os dedos era a única geografia que importava. A inocência... ela não vai embora com um adeus barulhento, sabe? Ela foge em silêncio, como o sol que se apaga atrás do muro, deixando a gente aqui, com os pés grandes demais para esses sapatos e o coração pesado demais para voar.

(Caminha até o trem de madeira e o toca com a ponta dos dedos)

Este brinquedo já foi um império. Hoje, é apenas madeira morta. O que aconteceu com a luz que fazia tudo parecer eterno? A gente cresce e aprende a dar nome às dores, mas desaprende a rir do nada. A alma adulta é um exílio. Olhamos para o quintal da infância por um vidro embaçado pela neblina de sermos 'alguém'. Mas, no fundo, quem somos nós sem aquele brilho que não pedia permissão para existir?

(Olha para o horizonte, onde a luz esmaece)

A noite vem. E o balanço continua lá, esperando por alguém que já esqueceu como se faz para perder o chão e encontrar o céu.


Imagem criado por IA