
De frente para o mar escutando o marulhar com as gaivotas a cantar.
Meu silêncio era profundo mergulhei em minhas gavetas
Tão íntimas, que naquele momento notei,
Que estava despindo-me das amarras que nas gavetas escondia.
Arrumei algumas, outra mal tocou o mundo interior.
Impedindo-me de abri-las, para não machucar-me.
Ou melhor, abrir feridas adormecidas.
As vivências de uma vida que vivi, entre tantas armadilhas.
O profundo despertar d’alma era preciso no momento de encontro
Da beleza infinita da criação da natureza, entre ela o meu Eu.
Sintonizando a essência depreendida do momento em que arrumava minhas gavetas
Transmutando um passado que ficou preso, entre pequenos fios.
Atados em minhas fibras, feito gavetas escondidas.
Perderem-se no tempo as chaves, outras se abrem pelo próprio despertar da Vida.