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Quem sou eu

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Sou a simplicidade casada com a verdadeira essência de um ser. Venho de uma família onde todos trazem e trouxeram em suas bagagens um código espiritual único e capaz de transformar palavras em frases complexas e simples, que ampliam horizontes e rompem barreiras. Sou filha do vento, da água, da terra e do fogo. Tenho minhas fases e mudo conforme a Lua. Sou a busca do exato, na medida disforme das coisas que vejo, e minha mente transcreve. Hoje criando este blog, mostrarei o que em gavetas escondia. Beleza, sinceridade, sede de transcrever o que minha alma sente ao se deparar com uma folha e um lápis, pois é desta forma que escrevo. Na simplicidade de um canto qualquer, mas com essência pura dos sensíveis.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

CONTEMPLAÇÃO

Contemplava a criança percebendo a variação no voo de uma borboleta. Inicia um brincar entre seus dedos, pousando de leve nos ombros surpreendendo no bater de suas asas.
Senta na campina sentindo o cheiro dos aromas de alfazema. Alcança a liberdade de ser criança. Longe do tumulto dos dias, correria dos carros, tarefas findas sem descanso, o tempo limitado com afazeres de adulto vestido de infância.
Observa as cores mais brilhantes com a nitidez que a natureza lhe apresenta.
Pequena não entende a presença de Deus, mas consegue perceber que o homem não é capaz de trazer o cheiro das matas, as cores que vê e nem consegue imitar na forma plena o voo da borboleta.
Escuta ao longe os pássaros a cantar qual sinfonia em grandes anfiteatros, cantarola uma música de infância que aprendeu na escolinha, e vibra com tamanha beleza que lhe cerca no ambiente de paz e sossego.
Mais um dia termina, a menina deita no campo adormecendo pelo cansaço descortinando a perfeição sem muito compreender a vida.
 A borboleta voa encontrando as flores e abelhas, os pássaros se aconchegam nos galhos para um novo despertar.
Acolhimento de uma infância no seio da terra que lhe abriga, coberta de estrelas num despertar com o raiar do dia.



APARÊNCIAS


De que serve conviver só de aparências
Esquecendo que a essência se perde.
 Atolado num lamaçal de enganos
Necessita de limites para não sufocar o íntimo
Duas vidas exprimidas num argumento rotulado
Trocadas por exterioridades
Objetos espalhados nas residências
Subterfúgio de amostras para uma sociedade
Tudo vai se perdendo onde o troféu é conquistar
Corações endurecidos pelo egoísmo do Ter e Querer...
Abrindo mão do essencial
Avarentos com suas roupas distribuídas nos closes
Adornos invejáveis para a grande disputa
Fotos em páginas de jornal
Aparências misturadas à hipocrisia
Utilizam as cores de um camaleão
Nas vitrines do antagonismo
Perde o encantamento dos nobres sentimentos
Continuando a viver de meras aparências...
Consentindo o coração fragmentar-se em ruínas...






Vastidão...

Abasteço meus dias
Caminhando com a aragem
Assistindo as belas paisagens
Admitindo a onda me levar
Vastidão...
Espectadora de um vendaval varrido
Sentido e deprimido, fico serenada.
Outras agitadas quais ondas da maré
Refletida de um verde ou azul
Sou céu claro ou mar agitado
Não há prosseguimentos
Por vezes claridade e paz
Intranquilidade e guerra interior
De repente quer o amor, sem amarras.
Sou mistura de lembrança
Sem bonança, pura tempestade.
Um pássaro ferido a voar
Sem ninho, carinho.
Fixo a olhar não existe sinal.
Vasto é o mar
Afogando-me em porções salgadas
Esperançosa dos carinhos teus

DESESPERANÇA

Esvaneci as emoções habituais dos sinais do querer
Não é palpável dentro dos limites do que o coração sonha
Contorna somente uma sensação de vazio
 Espaços alvejados, uma incógnita.
Palavras detêm em resposta sem definição
Com a mesma força percebe-se a fraqueza da linguagem
Desconexos de uma história que não findou
Nem há como concluir...
Paradas bruscas prendendo o que se sente
Deixando a saudade bater forte
Ressentida em lágrimas escorrendo
Olhando pra vida...
Preenchendo lentamente o vácuo entre estes espaços
Sensibilidade aflorada de uma espera
Buscando em ti um abrigo, onde foi um refúgio.
Diluídas aos poucos pelo tempo que se afasta
Sem mais ambicionar pela volta, dos teus abraços.




Impossível esquecer-te

Toques que na pele deixastes
Sutis e apimentadas sensações de frescor
Cada palmo tocado de meu corpo
Vertiam suores de prazer
Dedos a tocar qual leveza de uma pluma
Lábios a roçar e a pele eclodindo bel-prazeres
Dois cisnes dançando no lago do amor
Conduzias a pronúncia dos verbos
Espalhando por todo ambiente um bem querer
Impossível esquecer-te
Sinto no apalpar de meu corpo
A pele eriçar de saudades
Palavras não mais ditas
 Recordadas em lampejos
 Procurando por teus beijos




Abri o coração


Tracei um roteiro de aventuras
Abri o coração
Deixando os trilhos aparecerem
Seguindo estradas meio aos arbustos
Admirar as gaivotas em plenos voos sobre o mar
Deixar a luz inundar
Os pulmões encherem-se de oxigênio
Trilhar caminho meio ao deserto ou civilizado
Contrastes de vidas espalhadas
Vividas e revividas uma trajetória de histórias
Voltando qual um espectro
Liberta dos sobressaltos e inquietações
Se caso eu parar entre os trilhos e nada ver
Haverá um contentamento
Rasguei o peito e deixei a luz penetrar
Sendo um pouco de ternura
Dedicando meu ombro amigo
Á um coração a chorar...



Pintura Omissa

Não quero ser uma tela em pintura a óleo
Guardada em teu coração como saudades
Sente e pressentes a minha presença em teus dias
Sou um vulto do amor que te cuida
Guardaste-me para seguir os teus passos
Escutando as batidas descompassadas do teu coração
Carinho são trocados em pensamentos
Acarinhas meus cabelos nesta projeção refletida
Cobres meu corpo nas carícias mais sinceras
Deixando eu guardada, presa em forma de estigma.
Pintor retratando dois corpos encaixados na beleza
Prende esta tela, ao menos numa parede
Onde ao deitar possas lembrar que fomos entrega
Retira dentro de ti sons que relembram nossos momentos
Do desejar ao ato consumado
Não quero ser esta pintura, e sim teu grande amor...
Nos teus lábios ser mel, e no teu corpo ardor...


CANDURA

Coberta de pensamentos
 Vem o fascínio de desvendar
Abrangente de mudanças em seu corpo
Toques dados em acanhados acenos aos desejos
Descobre o olhar de cobiça
Confabulando o primeiro encontro para êxtase de amar
Complexidade de ser, entender e se doar.
Os sonhos saltitam em pensamentos tirando os pés do chão
Olhando a singela flor a germinar
Retratando o seu próprio desabrochar
Nos segredos que guarda e espera
Junção de corpos ente os enamorados
Livra-se de seus tormentos
 Aplaude o dia para o esplendor do Amor...
Guardando em segredos o que foi ser menina
Conhecendo o significado de ser mulher...





INSTANTES OU DISTANTES

Instantes ou distantes há recordações, somos em fração de segundos um túnel do tempo.
 Colocamos na máquina todos os apetrechos para ir pra trás, para frente e saber o que vem à frente...
Curiosidades nos deixam a mil, tem tantas e tantas outras coisas a fazer, mas quando envolve o que deixamos lá num canto esquecido queremos voltar para pegar.
Tem-se a necessidade ou é plena curiosidade de reviver...
O que é o presente senão um presente de tempo a se viver, e o que se passa lá na frente... Só o futuro pertence...
Apressados em passos largos fazemos de nosso nos dias, de nossas horas, um relógio com a corda toda.
Parar e repensar se vale toda a correria e se há cansaço, permitir-se aproveitar mais, sentir o que não se sente, andar descalços em um jardim da cidade sem vergonha dos sapatos serem carregados nas mãos.
 Abraçar uma árvore sentir sua energia a troca será um absorver com toda força retirando as nossas sobrecargas.
Sejamos mais lentos, corremos e o tempo corre junto. Os anos não limitam e nem atrasam seus relógios.
Dance um compasso que não canse, onde a música embala os sonhos nos arvoredos que nossos pensamentos criam, formando uma floresta vasta de encantamentos. Somos unos e desta forma cada qual com seus limites, ou percalços que não permitem ir além, ou correr atrás. Será uma inércia ou falta de coragem de mergulhar num mar de ondas gigantes com medo de afagar-se.
Fechar os olhos é cegueira com visão.
Fechar os braços é renegar um abraço.
Fechar as mãos é deixar de socorrer um irmão.
Que no túnel do tempo, a máquina que entraremos nos transporte ao mundo das gratidões, do afago, do sorriso, do desapego e de todas as aflições...





INTERLIGAÇÃO

Interligamo-nos pelos planos superiores
Esferas de luz conexas pelos pensamentos
Pairamos nos minutos de reflexão divina
Alteração de matéria densa
Metamorfose livre em voos libertos
Instala-se outra acepção de querer, sentir, desejar e fluir.
O Mal não domina o Bem
O Bem prevalece em todos os momentos, é paz.
Antídotos formam círculos flamejantes
Projetando-nos á outras dimensões
Flutuamos em verdadeiros baluartes
Carruagens velozes conduzem em contemplação de luzes
Telepatia nos deixa sentir uma forma de Amor sem igual
Os toques são sutis e leves, uma pluma a se soltar pelo ar.
Não há turbilhões de desespero, somente o sossego.
Quietude de ser, entender, acolher, proteger...
Nômades em escala celestes num despertar
Cercados de mãos amigas a nos guiar...





RÉU CONFESSO

O tempo passou...  De longe um olhar apreciava
Sem possibilidades para uma percepção de encontrar os olhos da amada
Alimentava-se de esperanças e vestia-se de juramentos
Para um dia quem sabe... Os sonhos realizarem em saltos de alegria
Réu confesso de suas mais secretas emoções e indagações
Períodos de uma doce lembrança que vagavam num passado
Desatou suas amarras e veio de mansinho, qual menino.
Pedindo um abrigo no corpo fadigado pela espera.
Palavras ditas e sentidas no amago das profundas emoções dos instantes de declarações
Perplexidades juntaram-se em perguntas e respostas
Fluindo qual tempo que parou num espaço sem perder as horas
Cobrindo todo querer com as carícias que sonhava
Do corpo a encaixar-se ao seu
Fazendo dos instantes de inúmeras lembranças
Eterno tatear dos sentidos vividos
Calando-se em palavras intercalados entre beijos apaixonados
Entrelaçando duas vidas em uma
Recolhendo e distribuindo a saudade sem ser solitário
Guardando no interior de suas recordações
Um acalento para um coração sonhador e realizado
Dos sonhos de um passado...



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

ACOLHIMENTO ABSTRATO



 A chuva cai molhando meu corpo
Estendido em um acolhimento... Silencio
Neste rio junto às imagens que formam arabescos
Rabiscando os pensamentos refletem no céu
Nossas imagens retratando noite de sonhos
Absorvo todo o sentido delicado das entranhas que nos permitimos
Estática diante do que penso... Volitas ao redor de mim... Miragem...
Há de existir em nós uma forma de sentir sem quimera
Foi ou era...
Existiu ou Sumiu...
Permanece ou partiu...
Não importa abstratos não são tangíveis    
Aos tolos cabe esta frase
Sentir se sente
Tocar se pode
Criar asas se toca e sobrevoa quem ao longe mora
Retrata numa nuvem imagem... Encontro de dois seres
Apaixonados... Que da lembrança não vai embora...



Uma bagagem mais leve...


Minhas tralhas estão pesando minha bagagem
Pesos desnecessários para uma viagem...
Se for longa sobrevivo do pouco que tenho
Minha mala será revestida do necessário
Mulher gosta de maquiagem, levarei.
Surgindo com um semblante com cores dos arcos-celestes
Uma luz que permita que eu peregrine em noites escuras
Iluminado escuridões em labirintos...
Com a bagagem mais leve iniciarei um longo caminho
Não posso dizer que não pesará... Desapegar não é tarefa fácil
Constante policialmente de nossos atos
Reflexo no espelho do caráter
Desfigurar a imagem não é premissa
Retirar aos poucos tudo que for inútil
Sem olhar para trás... Lamentar não é o caso
Sorrir e alegrar-se diante da obrigação
Levar de preferência um livro na mão
Roteiro de esperança pronunciada em oração.











Nudez


Desnuda em águas profundas
Pés tocando as profundidades do que sou
Imersa nas conjecturas dos meus ensaios
Meros artistas desdobram-se no tablado
Encenando cada ato
Não há máscaras a serem derrubadas
Quais cercas em solos invadidos
Este é o meu território
Demarcado por inúmeras narrativas
Do poeta ao sarcástico
Do irônico as verdades ditas
Mentiras não faz parte do texto
Não há espaço e nem tempo...
Minha nudez é despida de lucidez
Sem hipocrisia para agradar a maioria
Nem com a estupidez de ferir um coração
Sou a nudez de minha própria alma
Um estandarte na avenida
Que um dia será recolhido
Para quem sabe, um dia deixar.
Saudades com a minha partida...


CONFORMISMO

Incansável busca-te
Sem noção da distancia que entre nós existe
Finaliza o horizonte, os espaços vagam permanecendo tão longe...
Ao mesmo tão tempo perto...
Miragens são vistas de uma janela aberta entre as cortinas
Procurando sem cansar o despertar de um dia que já tivemos
Do amor que nos abrigou em noites frias
Da esperança de um carinho onde não findaram os desejos
Nada foi por acaso... Uma forma de encontrar em nós os instantes perdidos
Despedida sem beijo, um olhar vago sem perspectiva de volta.
Uma vaga impressão de possuir e nada mais ter
O sorriso brota nos jardins dentro de mim
Quando germinam as flores que colho no despertar dos amanheceres
Entre as cortinas, o jardim e os perfumes.
Acolho-te em meus pensamentos em desatinos...
Do conformismo sem saber o epílogo de um destino...


Labaredas de sentimentos inúteis

Prendia dentro de mim
Labaredas de sentimentos inúteis
Remoíam e trituravam, contorcendo em dores.
Pensamentos vindos dos ulteriores
Absorvidos sem despertar de atitudes
Abrigando em meu peito e ferindo a alma
Desnorteando os rumos
Cuspi ao longe as flamas de fogo
Deixando dissipar-se ao longe
Findando em cinzas espalhando-se nos mares e rios
Levadas e lavadas desbotando os tons acinzentados
Padecido em desordens por meros pensamentos negativos
Soltei todas as amarguras, substituindo pela ternura.
Avançando a apiedar-se num só querer
Sensação de alívio, qual lago refletindo.
Limpidamente um semblante modificado
Da iniciativa de expulsar o fogo necessário...





Deixei o véu cair...

Neste véu lanço-me nas danças flamencas
Presa aos destinos... Sem desatinos...
Coberta pelo xale de organza
 Deixo minha silhueta bailar de encantos
Percorro em instantes lugares desconhecidos
Olvidados, sobressaltando emoções.
Liberando o espetáculo, caminhando junto das caravanas.
Roupas bordadas em ouro, adereços e um cordão dependurado no pescoço.
Uma esfinge de madrepérola com figura de uma cigana
Os véus soltam-se nas danças, nos pares a se formar.
Um cigano entrelaça suas mãos nas minhas
Um encontro de vidas... Quem sabe...
Seus olhos significavam narrativas que na história caiu em esquecimento.
Deixei o véu cair, e um olhar refletiu na retina longínqua.
Uma história, revestida em várias vidas...




CLAMORES DE PAIXÃO

Não consegues entender que os meus olhos te buscam
Qual cego tateando o mundo
Estão vendados para não se arrastar nessa falta que pressinto
Tuas mãos percorrendo minhas vontades
 Sedenta espera de devorar-te em clamores de paixão.
Saboreia esta cútis a insinuar-se com sentidos torpes
Tomando os teus delírios em uma conjectura de promessas
Improvisando e viajando pelos caminhos do mapa de teu corpo
Desvenda meus olhos para que eu possa visualizar teu semblante
Respiração ofegante, olhos brilhantes e um sorriso de esperança.
Não demora, sou fugitivo dos sentimentos contraídos numa recinto abandonada.
Sem espera, um principiante de emoções afloradas...  Arrepiar de pele.
Me solta das amarras e cubra-me com teus afagos
Deixando-me deleitar dos momentos que no meu sonho sigo a te procurar
Acordando, volto a ser um cego a vagar...


Suaves toques embalados pelas orquestras de ventanias.

Percepção de um entrelaçar no tronco de desejos
Escravos em liberdade de uma união eterna
Sem açoites, onde a chibata são as minhas mãos.
Suaves toques alterou nossa essência
Enraizamos e desde as primeiras sementes brotou um despertar
Na orquestra das ventanias debulharam-nos deixando-nos nus, e dos descaimentos ressurgimos na certeza de nossas intensas raízes.
Consentimos escorrer na sedenta relva a seiva de nossos desejos
Espalhando outras sementes férteis perpetuando nosso romance
Hoje dormimos no relento abraçado, são emoções que nos fez modificar-se em frondosas árvores em matas fechadas, para não sentir o golpe do machado ferindo as nossas fibras.
Dos suaves toques renascemos e morremos na junção de nossos corpos sedimentados no esplendor de natureza.




Sem tinteiro... Sem verniz...

Seus raios luminosos expandem-se ao encontro da escrita
Norteiam os meus pensamentos e os alinham
Leva-me para uma viagem de letras em suas asas
Conduz minha mão com a leveza de toques sutis, em cada palavra escrita.
Surgem os traços e vai caminhando por entre os espaços
Ilumina as alamedas da minha mente, que senta e registra.
Em segundos o contraste do que somos reluz no papel
Sem tinteiro... Sem verniz...
Resplandece de uma esfera que desconheço
Apenas me dita em voz suave que a leitura seja um pergaminho
Não importando o que vão descrever o que escrevo
 Apenas sintam que há essência em cada verso
Despertados por um anjo de asas cintilando
Do encontro... Ao despertar de vários caminhos...



Um barco a deriva...

Guio-me pelo farol onde a luz tênue não direciona os meus desejos
 Perdida sem bússola não sabe atracar em um cais ou porto
A noite cai fria e circunspecta
Nesta vastidão de mar perco-me sem me encontrar
Um lugar ou um abrigo perfeito para os dias inabitados
Há momentos que não há farol, nem mar...
Somente um barco a navegar
Rumos sem direção, nem capitão.
Está a deriva de um despertar do que tem que ser ou será...
Volto e retorna para terra firme
Olho de longe o destino
Ele é... O que somos e escolhemos
Qual farol a iluminar os navegadores
Com seus barcos e remos...




Lua Cheia

Foto Ronaldo Amboni

O luar desperta um encantamento de apreciação plena
A Lua em sua fase cheia desposta alaranjada sobressaltando do horizonte
Os flashes despontam ao alcance da beleza que se descortina
Uns olham da janela ou por entre as cortinas
Os enamorados fazem promessas onde queriam um quarto sem teto
Fazendo amor a luz da Lua como testemunha
As estrelas cobriria o ato consumado num tapete de luzes
Os lençóis cairiam em festa sublimando a Lua
Os beijos seriam refletidos nas paredes
Dos encontros no firmamento de luares presente

Desnudam dois corpos num instante...

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Estou com o zíper aberto

Abri o zíper para enxergar o mundo lá fora
Permanecia presa somente ao meu interior
Intuitivamente fui deixando a claridade de um alvorecer adentrar
O zíper foi arredando dando espaço de sentir o frescor da manhã
Os jardins florindo, os beija-flores de flor em flor.
Sai descalça pisando na terra, apreciando a natureza.
Muitas vezes nos fechamos em copas
Como uma calça que vestimos
Na vida o mundo é diferente, tem que abrir o zíper.
Sem medo dos outros olharem e repararem
Porque esta abertura não tem malícias
Tem o frescor de um dia com suas minúcias.

No compasso deste passo...

Nos embalos dos meus braços
Dançaremos num ritmo lento e amoroso
De este bailar de desejos
Entrelace tuas pernas nas minhas
Neste ciclo de amor sem fim
Na ânsia de ficar em mim
Meus pensamentos querem te possuir

Debruce teu corpo ao meu
Bailarina sensual de amor
Sou guardião do teu coração
Sentiremos junto o que é dançar

Largue os pudores
Sem limites... Sem proibição
No âmago dos teus olhos famintos
Para completarmos a este belo tango...

Ardente em compasso curto
Na emoção de mil absurdos
Em teu corpo farei morada
Neste tango foste a minha amada

O que é o Amor?

O que é o Amor? Um lapso temporal de um sentimento inacabado?
Ou seria algo que se instala, faz morada e não conseguimos cuidar?
Nas esferas cristalinas dos valores, num lugar onde as almas estão limpas dos odores das malícias. Sobrevoa um Amor de constantes alegrias, uma felicidade vestida de luz.
Bordam seus corpos com as linhas de ouro com pedras preciosas
Um festival de luzes que brilham ao fundo ou nos lugares que permanecem abraçados, um Amor puro e sem as decadências que nos deparamos em nosso mundo.
Ah! Este Amor não desce a Terra, porque os homens não conseguem ainda sentir.
Somente alguns gestos parecem ser o Amor... Mas, equivocados caem em desenganos.
O Amor não aprisiona, não mata, não desrespeita.
É tão sublime que não temos a noção nem aqui nem dentro do coração
Adquirimos um ego e um egoísmo capaz de afrontar o próprio Amor
O nosso e dos que estão ao lado
Sendo abstrato este sentimento queremos estimular.
Que seja pela caridade, ou em um simples olhar...
Gestos pequenos que por aqui dizem que é amar...

Um livro... Um funeral...

Um livro vai ser redigido
Nos assoalhos das emoções é erguido
O livro da vida rasga-se diante dos olhos
A cegueira da paixão busca o encontro do eterno afeto
As linhas em branco soltas e presas...
Demarcam o introdutório do que vai ser o embate
Inicia o despertar das palavras com entusiasmo e alegria
No espaço não há vazio... Tudo se completa...
Intervalos vão surgindo entre as dúvidas e aprisionamentos
Nas linhas recheadas de verdades, tornam-se prenhas de angústias.
Invadem os instantes dos tempos que sublimaram o êxtase do amor
Declínios, os brios sentindo os solavancos que o próprio respeito não deixa desabrochar no despertar dos olhares.
Correm duas vidas lado a lado
Sem observar quem está ao lado
O livro segue em capítulos, recapitulando cenas.
Dois corpos entregues às traças e ao bolor do mofo
Um arrisca escapar para não ver o fim nefasto
De uma história que iniciou com flores e aromas
Morrendo no último capítulo entre as coroas de um funeral
Autores desconhecidos... Duas vidas entrelaçadas...
De uma lembrança no memorial...

ASA QUEBRADA


 



Não voarei mais, minha plumagem estão encharcadas de lamúrias.
Um voo solitário qual águia nas alturas
Não sei se escaparei sem a busca que tanto busquei
Fugindo para o firmamento ao encontro do Sol
Aquecerei este frio que na alma se instala
Não me deixe só, sou um pássaro de asa quebrada.
Meu abrigo será as colinas
Escaparei para o alto mar
Solitário voarei voos não mais dados
Reservarei um canto que será triste puro lamento
Quem sabe um dia a asa restaure
Eu volte a cantar nos campos e em todos os lugares
Encontrando o meu pássaro que deixei voar...

FUSÃO


Os anjos também amam...
Êxtase de encontros nos empíreos perdidos
Intenso na forma e no delinear do próprio desejar
Instalam-se em pequenos jardins do Éden
Libertam dos matinais domínios dos homens
Desfrutam de forma complexa o desejo em fusão com amor
Sentem a sensação de pleno deleite
Homogeneidade transformam as asas na oportuna busca
Com plumagem leve cobre sua amada
Sucumbe no despertar de lábios que se tocam
Despedem-se com uma bela sinfonia...
Permitindo do encontro
Hospedar-se na paz e na harmonia

RECEIOS



Senti o teu silêncio. São os caminhos que não se cruzam
Nem de mãos, contramão...
Nem nos olhos, sujeição...
Desapareceram as palavras, desconexão...
Pequenos intervalos e o sentimento estão no presente-ausente
Espaços vão tomando conta, instalando-se no decorrer deste cotidiano.
Ambicionar não me traz felicidade, inquieta queria buscar as conversas que não mais nos resta.
Percepção de algo conquistado, saboreado escorrendo pelos confins...
Premissa de um afastamento normal do encontro planejado e configurado
Pretensão não dá lugar ao querer... Esvai em delírios...
Sentada observo a Lua revolvendo os pensamentos
Refletindo um prateado em meus segredos
No peito adormecido e perdido...
Pressenti meus receios e arremedos

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Emaranhado

Teu corpo no meu
É um sol escaldante
Queima sem queimar
Arde sem ardor
Restaura sem ser restaurador
Composição sem ser compositor
Cria sem ser Criador
Recria sem ser reciclador

O teu corpo me envolve qual novelo de lã
Tece sem ser tecedor
Agasalha sem ser cobertor
Ama-me sem ser Amor...

Teu corpo é abrigo no meu corpo
Sonho de um sonhador
Poesia para um trovador
Versos, prosas e romances.
Que eu gosto de compor...

Num jardim de flores sem aroma



O jardim das esperanças foi devastado
O amor se perde em demasia sofrendo um colapso
Num deserto de desenganos
Flutua além do permitido cravado de espinhos
Abraçando a rosa desfolhando-a em prantos
Respinga na terra gotículas de sangue de seu padecer
Atribulado com seus desatinos
Desmaia pedindo abrigo
Sente o colo da amada num término de dor
Calam-se diante do momento
É o amor fenecendo na forma inaugural
Despedida sem alcances
Num jardim de flores sem aromas
Uma afeição veneno exalando de seu corpo
Uma mutação de cores
Dilaceração de muitos amores...