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Sou a simplicidade casada com a verdadeira essência de um ser. Venho de uma família onde todos trazem e trouxeram em suas bagagens um código espiritual único e capaz de transformar palavras em frases complexas e simples, que ampliam horizontes e rompem barreiras. Sou filha do vento, da água, da terra e do fogo. Tenho minhas fases e mudo conforme a Lua. Sou a busca do exato, na medida disforme das coisas que vejo, e minha mente transcreve. Hoje criando este blog, mostrarei o que em gavetas escondia. Beleza, sinceridade, sede de transcrever o que minha alma sente ao se deparar com uma folha e um lápis, pois é desta forma que escrevo. Na simplicidade de um canto qualquer, mas com essência pura dos sensíveis.

sábado, 21 de abril de 2012

CONTO / VOEI ALÉM DE MIM



Criei asas de imaginação, transportei-me para o paraíso.
Ouvi tanto falar dele, resolvi visitá-lo.
Levei comigo uma águia, para guiar-me melhor ao topo mais alto do imaginário.
Com sua astucia deixe-me levar, coloquei meus pés em nuvens claras e densas.
 Pulava uma a uma, chegando num bosque florido e pássaros cantando.
Avistei ao longe, uma bela cachoeira e um arco-íris cobrindo com seus anéis multicoloridos.
Seus reflexos formavam um prisma, um portal de luz transportando-nos ao imaginário refletido.
Seus habitantes, com roupas claras e olhos brilhantes, recepcionavam os viajantes.
A águia e eu conversávamos sobre o céu, o infinito, amplidão, magnitude, espiritualidade.
Este infinito mágico que abriga suas espécies criadoras.
Com propósito de direcionar nosso imaginário além de nós.
Desta forma senti...
O que é voar além de mim.
Direcionei meus sentidos, agunçando-os.
Voar parece estar solto dento de um ventre, presa através das ligações de carne que nos prende na Terra.
A águia por sua vez alçava um voo cada vez mais complexo, direcionando-me ao desconhecido.
Pedi para descansar e chegar bem mais perto daqueles seres que iluminavam o lugar.
Este lugar não tinha um nome apropriado, somente na placa que dizia:
Sejam bem vindos ao verdadeiro movimento da escrita espacial.
Um deles veio nos recepcionar e comentou que ficava feliz aos impulsos que os humanos tinham em voar além da imaginação.
Fitou nos meus olhos, e pediu para a águia pousar em meu ombro porque começaria o grande trajeto.
Com os olhos brilhantes perguntei : Por gentileza, qual é o seu nome?
Meu nome é Espaço Sideral.
Pare de fazer tantas perguntas,  vamos caminhar e apreciar o maravilhoso mundo do desconhecido que tanto indagas.
Ao longe podia-se ver casas com telhados de cristal, e o mais interessante em formato de trinângulo.
Os estudos que naquele local faziam eram direcionados as escritas dos grandes escritores que estavam habitando a Terra.
Dali enviavam sinais  dos mais variados, para  serem codificados e compreendidos por milhares de pessoas
e línguas estrangeiras diversas.
A águia falou bem baixinho no meu ouvido, acho que sua inspiração vem deste lugar. Parece muito com suas escritas.
Não fale bobagem, somente somos visitantes audaciosos com sede de aprender e vivenciar este momento.
Espaço Sideral riu...
E comentou que a maioria que ali passavam não acreditavam que aquelas casas eram um lugar de aconchego da mente humana.
Pensei quem me dera poder ficar ali horas a fio, entrei na primeira casa.
 Meu olhar queria devorar o que ali continha. Um espaço com mesas individuais, as canetas eram a lazer que fixavam em uma pedra  de cor branca azulada, cortada do tamanho de uma folha A4.
Desta vez voei além de mim novamente, lembrei de uma passagem que estava ali escrevendo, e sendo orientada por luzes e vozes.
Estas vozes cantavam aos meus ouvidos emitindo sonetos, prosas ,versos e contos que transcrevia em folhas soltas.
Sempre que escrevia e escrevo sinto dormência no meu corpo, minhas mãos flutuam sobre o papel,
vou seguindo trilhas e formando arabescos de ilusões e acontecimentos únicos e passageiros que minha mente retrata.
Pensei que não deveria ser impossível imaginar tanto, sentir algo que era familiar.
 As casas eram distantes uma das outras. Achei até interessante, mas não continha em perguntar.
Logo veio a resposta, são casas com vibrações diferentes. Cada qual emite o sinal dos pensamentos que cria algum texto.
A casa por aqui não são pintadas, não tem janelas, nem cômodos. Somente a mesa e a cadeira para cada qual quando vir ,
usar a caneta e a pedra, deixando gravado nos arquivos d'alma.
Mas, qual o sentido tem tudo isso, existe lógica para que esta construção fosse feita desta forma?
Sim, há. Você quando escreve procura direcionar um tema, não escreve sempre a mesma coisa, não é mesmo.
Claro que não, pois minha sintonia difere conforme meu humor, os dias e até as inspirações diárias que recebo.
Então, a explicação é simples, as casas são os abrigos adequados para cada sintonia que surge lá da Terra.
Esqueci de falar da casa Maior.Já iremos até lá. Ficou curiosa, sei que sua mente é cheia de imaginação quando a conversa é escrever,blogar estas coisas que os seres humanos estão fazendo nesta era cibernética, virou um meio de mostrar o que por aqui alguns fazem sem sentir e saber...
A conversa corria solta, os olhares eram espetáculos que apareciava tudo; enquanto caminhavámos em direção de lugares maravilhosos.
No alto de uma montanha, avistei a casa Maior.
Lá repousam os que adentram neste paraíso, para concentração. Quando chegou aqui com sua águia, avistou muitos seres iluminados. Desta forma que emanamos as vibrações através do telhado de cristal.
E na casa Maior o compromisso é nosso, ajudamos a escrever à quatro mãos. Somos nós que enviamos mensagens quando em alto grau de concentração, se posicionam para ter a inspiração adequada.
Espaço Sideral aqui existe tempo? Não existe.
O tempo é necessário para a concentração diária, mas o tempo não é cronometrado.
Nas casa não tem relógio, muitos que acham que entram nem chegaram no portal.
Outros sim, encontram-se em plena escrita, adormecem e deixam ser conduzidos por nós.
Nossa estou com letargia, nem conseguirei voar de volta.
 Calma, é hora de repousar suas energias ,hoje você voo muito além da sua imaginação.

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