Páginas

Quem sou eu

Minha foto
Sou a simplicidade casada com a verdadeira essência de um ser. Venho de uma família onde todos trazem e trouxeram em suas bagagens um código espiritual único e capaz de transformar palavras em frases complexas e simples, que ampliam horizontes e rompem barreiras. Sou filha do vento, da água, da terra e do fogo. Tenho minhas fases e mudo conforme a Lua. Sou a busca do exato, na medida disforme das coisas que vejo, e minha mente transcreve. Hoje criando este blog, mostrarei o que em gavetas escondia. Beleza, sinceridade, sede de transcrever o que minha alma sente ao se deparar com uma folha e um lápis, pois é desta forma que escrevo. Na simplicidade de um canto qualquer, mas com essência pura dos sensíveis.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O BICHO HOMEM (AFONSO PRATES DA SILVA)


* Afonso Prates da Silva é escritor e músico (pianista) nascido em Laguna. Também foi Industrial, além de professor com graduação em Letras (Português e Espanhol). Diretor da Fundação Educacional de Santa Catarina. Criou o curso de Espanhol em Braile no estado.

Homenageando meu querido primo, que traz nas veias o pulsar da música com o embalo da escrita.


Em 1947, Manuel Bandeira da Janela de sua casa na Lapa via cenas impressionantes; baseado nestas, fez uma poesia que contribuiu como um grito de alerta, já que, na sociedade há pessoas que vivem do lixo e no lixo.


O BICHO

VI ONTEM um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Passado aproximadamente sete décadas, pergunto o que foi feito pelos nossos governantes? O que vemos agora é um grande número de pessoas vivendo exclusivamente do lixo. Onde ficaram as promessas de nossos políticos? A informalidade apresenta-se numa velocidade impressionante, em cada sinaleira de nossa cidade um artista se apresenta por umas míseras moedas, temos malabaristas, palhaços enfim, pessoas que honestamente defendem o pão de cada dia, e não me digam que é malandros vão vocês para o escaldante sol do meio dia trabalhar no asfalto. É este o tipo de solução encontrada?
E aí senhores políticos? Que nos dizem a respeito!
Nada mudou, o bicho continua sendo, meu Deus, O homem atual.

Nenhum comentário:

Postar um comentário